Conteúdo
- 0.1 O solo que amplifica o problema
- 0.2 O que separa um desastre controlado de uma tragédia
- 0.3 Comparando terremotos parecidos, resultados diferentes
- 0.4 O que você leva disso para a sua realidade
- 1 FAQ – Perguntas Frequentes
- 1.1 P: Por que alguns prédios caíram e outros não durante os terremotos na Venezuela?
- 1.2 P: Qual é a norma de construção sísmica vigente na Venezuela?
- 1.3 P: O terremoto na Venezuela tem relação com o risco sísmico no Brasil?
- 1.4 P: Quantas pessoas morreram nos terremotos da Venezuela em 2026?
- 1.5 Fonte Original
Dois terremotos seguidos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram o centro-norte da Venezuela em 24 de junho. Até 1º de julho, o balanço oficial chegou a 2.295 mortos e 11.267 feridos. Você já deve ter visto as imagens dos prédios desabados. O que poucos explicam é por que uns caíram e outros, a poucos metros de distância, ficaram de pé.
A resposta está menos na força do tremor e mais em como cada edifício foi projetado e fiscalizado.
O solo que amplifica o problema

La Guaira, um dos estados mais atingidos, fica espremido entre montanhas e o mar. O terreno é formado por areia solta, cascalho e detritos, o tipo de solo que faz as ondas sísmicas se propagarem mais devagar, mas com mais intensidade. Na prática, isso amplifica o tremor exatamente onde ele já é mais perigoso.
Um exemplo concreto disso é o conjunto habitacional Los Cocos, com 1.100 unidades, construído sobre uma área que já tinha sofrido enchentes graves décadas antes. Os dois terremotos consecutivos destruíram parte do complexo, e engenheiros voluntários pediram ao governo uma inspeção emergencial em conjuntos parecidos na região.
O que separa um desastre controlado de uma tragédia
A norma sísmica vigente na Venezuela é a Covenin 1756-1:2019, que substituiu a versão de 2001. O problema é que muitas estruturas afetadas foram erguidas antes dessa atualização, e outras simplesmente não cumpriam as exigências, mesmo estando dentro do prazo de vigência.
O próprio Ministério da Ciência e Tecnologia do país reconheceu, em nota técnica, que a situação das construções em relação às normas de resistência sísmica é preocupante. Segundo o documento, falta supervisão profissional, existem erros de projeto e os materiais usados costumam ter qualidade abaixo do exigido.
Isso não é exclusividade venezuelana. A informalidade na construção civil é alta em boa parte da América Latina, incluindo o Brasil, mesmo em regiões sem risco sísmico relevante.
Comparando terremotos parecidos, resultados diferentes
Essa tabela mostra como a mesma força de terremoto pode ter consequências completamente diferentes dependendo da fiscalização de obras:
| País e ano | Magnitude | Mortos | Fator determinante |
|---|---|---|---|
| Chile, 2010 | 8,8 | Cerca de 525 | Normas de construção rígidas e bem aplicadas |
| Haiti, 2010 | 7,0 | Centenas de milhares | Falta de fiscalização e construção informal |
| Venezuela, 2026 | 7,2 e 7,5 | 2.295 (balanço até 1º de julho) | Normas desatualizadas em parte do parque construído e fiscalização insuficiente |
Repare que o terremoto mais forte, o do Chile, foi o que matou menos gente. A diferença não está na natureza. Está na engenharia.
O que você leva disso para a sua realidade
Se você trabalha com construção civil, projeto estrutural ou gestão de obras, esse caso reforça pontos que valem em qualquer lugar, sísmico ou não:
- Fiscalização contínua durante a execução da obra não é burocracia, é o que separa uma estrutura segura de uma tragédia anunciada
- Construção informal, sem controle técnico, é o principal fator de risco identificado em praticamente todos os relatórios sobre o desastre
- Materiais abaixo do padrão mínimo exigido comprometem a estrutura mesmo quando o projeto no papel está correto
- Solo instável exige estudo geotécnico sério antes de qualquer fundação, e isso vale para áreas de encosta ou aterro no Brasil também
Se a sua empresa atua em regiões com histórico de deslizamento ou solo instável, esse é o momento de revisar os laudos geotécnicos dos seus projetos em andamento e confirmar se a fiscalização de execução está sendo feita como deveria.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que alguns prédios caíram e outros não durante os terremotos na Venezuela?
R: A diferença está principalmente na aplicação das normas sísmicas na construção, na qualidade dos materiais usados e no tipo de solo. Estruturas mais antigas ou informais, sem fiscalização adequada, tiveram muito mais colapsos.
P: Qual é a norma de construção sísmica vigente na Venezuela?
R: É a Covenin 1756-1:2019, que substituiu a versão anterior de 2001 e estabelece os requisitos para projeto e construção em zonas sísmicas.
P: O terremoto na Venezuela tem relação com o risco sísmico no Brasil?
R: Diretamente não, já que o Brasil está no centro da placa tectônica sul-americana. Mas as falhas identificadas, como informalidade na construção e falta de fiscalização, são problemas comuns também em obras brasileiras.
P: Quantas pessoas morreram nos terremotos da Venezuela em 2026?
R: O balanço oficial atualizado em 1º de julho aponta 2.295 mortos e 11.267 feridos, segundo o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez.
Fonte Original
Forbes Brasil — Por Que os Prédios Desabaram? Terremoto na Venezuela Expõe Falhas na Construção Civil e Geografia de Risco — https://forbes.com.br/forbes-money/forbes-real-estate/2026/06/terremotos-venezuela-falhas-construcao/




