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Plástico retirado de rios da Amazônia vira material de construção em Belém

plástico reciclado na construção civil

Se você trabalha com construção civil e busca alternativas sustentáveis de matéria-prima, esse caso do Pará vale a pena conhecer. Garrafas PET, embalagens e outros resíduos plásticos retirados de rios amazônicos em Belém ganharam um destino inusitado: viraram brita, usada na fabricação de componentes construtivos.

A tecnologia foi desenvolvida pela startup FlexStone em parceria com pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará), usando o plástico recolhido pelo projeto Promares. O trabalho dialoga com um estudo publicado em 2025 na revista científica Ambio, que analisou a poluição plástica na Amazônia e apontou a economia circular como uma das estratégias para enfrentar o problema.

Como o resíduo vira matéria-prima de valor agregado

Segundo Neyson Mendonça, coordenador do projeto no estado e pesquisador do programa de pós-graduação em engenharia sanitária e ambiental da UFPA, o processo transforma um passivo ambiental em matéria-prima de alto valor agregado.

O diferencial técnico está na versatilidade do método. Rodrigo Hühn, CEO da FlexStone, explica que o processo aproveita praticamente qualquer tipo de plástico, sem precisar separar por cor ou composição, e sem consumir água. Para ele, isso transforma um resíduo que iria parar em aterro ou se degradar em microplástico num agregado útil para a construção civil.

Onde a brita ecológica já está sendo usada

O material já tem aplicação prática na cidade. Ele foi empregado em bancos de praça, floreiras e lixeiras instaladas em canais revitalizados pela prefeitura de Belém, como o canal da travessa Quintino Bocaiúva.

A obra, entregue em março deste ano, integrou as iniciativas ligadas à COP30, cúpula da ONU sobre mudança climática realizada em novembro na capital paraense. Parte dos resíduos plásticos gerados durante a própria conferência entrou na composição da brita.

Hoje a linha de produção processa, em média, cinco toneladas de plástico por mês, e a expectativa é levar a tecnologia para outras regiões da Amazônia, processando o material no próprio território.

O protótipo de casa que já usa 300 mil garrafas PET

A tecnologia também deu origem a um protótipo de moradia sustentável no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá. Construída com tijolos feitos a partir da brita ecológica, a casa incorporou o equivalente a cerca de 300 mil garrafas PET.

Segundo Hühn, um dos diferenciais do material é o conforto térmico: a casa esquenta bem menos do que uma construção convencional, o que reforça o potencial do material para climas quentes como o da região Norte.

Uma rede que envolve 13 universidades e quatro estados-piloto

O projeto Promares não se limita ao Pará. Além da UFPA, reúne pesquisadores de outras 12 universidades brasileiras e da Universidade Técnica de Braunschweig, na Alemanha, responsável pela coordenação geral. Pará, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro foram definidos como áreas-piloto para desenvolver e validar soluções que depois podem ser adotadas em outras regiões do país.

Para Christiane Pereira, coordenadora-geral do projeto, o principal diferencial da iniciativa é reunir universidades brasileiras e instituições internacionais para criar soluções adaptadas à realidade amazônica.

Segundo ela, isso permite desenvolver tecnologia para transformar plástico em recurso secundário, fortalecer a economia circular e promover inclusão produtiva de cooperativas, povos indígenas, ribeirinhos e outras comunidades, além de gerar dados que ajudam a orientar política pública de combate à poluição plástica.

Por que isso importa para quem trabalha com obra

Se você atua com construção civil e busca diferenciação por sustentabilidade, vale acompanhar a evolução dessa tecnologia. Segundo Mendonça, a expectativa é que, com a consolidação das pesquisas, a evolução do marco regulatório e o fortalecimento de parcerias entre universidades, startups, cooperativas, empresas e órgãos públicos, essa solução possa ser incorporada em larga escala no setor.

Isso significa uma alternativa concreta de agregado reciclado, com potencial de reduzir custo de matéria-prima e ao mesmo tempo gerar impacto social real em comunidades ribeirinhas.


FAQ – Perguntas Frequentes

P: Como o plástico retirado de rios amazônicos vira material de construção?

R: O plástico coletado é processado pela startup FlexStone, em parceria com a UFPA, e transformado em brita ecológica, sem necessidade de separação por cor ou composição e sem consumo de água no processo.

P: Onde a brita ecológica já está sendo usada?

R: Já foi aplicada em bancos de praça, floreiras e lixeiras em canais revitalizados de Belém, além de um protótipo de casa sustentável que usou o equivalente a 300 mil garrafas PET.

P: Quantas toneladas de plástico o projeto processa atualmente?

R: A linha de produção atual processa, em média, cinco toneladas de plástico por mês, com planos de expansão para outras regiões da Amazônia.

P: Quantas universidades participam do projeto Promares?

R: O projeto reúne a UFPA e outras 12 universidades brasileiras, além da Universidade Técnica de Braunschweig, na Alemanha, que coordena a iniciativa. Pará, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro são as áreas-piloto.

Fonte:

Folha de S.Paulo (Folhapress) — Plástico retirado de rios amazônicos vira material para construção civil

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Manoel Monteiro

Escritor

“Como escritor de artigos para blog, transformo suas ideias em conteúdo envolvente e informativo. Com ampla expertise em diversos tópicos, ofereço artigos personalizados que atraem leitores e impulsionam a presença online do seu blog, seja qual for o seu nicho. Conte comigo para criar conteúdo de alta qualidade que eleve a autoridade e o engajamento do seu blog.”

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