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Se você está pagando parcelas de um imóvel na planta ou pensa em comprar um, presta atenção nesse número: o índice que corrige suas prestações durante a obra está subindo bem mais rápido do que o esperado. E isso pode pesar tanto no seu bolso quanto no orçamento das construtoras.
O Índice Nacional da Construção Civil (INCC-DI), calculado pela Fundação Getulio Vargas, fechou 2025 com alta de 5,9%. Para 2026, a projeção inicial era de um resultado parecido. Só que a guerra no Oriente Médio mudou essa conta, pressionando o preço de matérias-primas usadas na construção. A consultoria 4intelligence agora projeta o INCC-DI fechando o ano em 8,3%, com materiais e serviços subindo 9% e mão de obra subindo 7,5%.
Se essa estimativa se confirmar, será o maior resultado do índice desde 2022, quando fechou em 9,3%.
Por que isso afeta diretamente quem compra na planta
Durante a fase de obras, as parcelas de um imóvel comprado na planta costumam ser corrigidas pelo INCC, não pela inflação geral medida pelo IPCA. O problema é que os dois indicadores estão se descolando.
Segundo Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, é difícil que essa alta seja revertida no curto prazo. Ela avalia que o custo da construção civil deve continuar subindo acima da inflação geral do país.
Isso importa porque, quando o custo do imóvel sobe mais rápido do que o salário do comprador, o poder de compra encolhe. Some a isso a taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano, e você tem dois fatores puxando o financiamento imobiliário para cima ao mesmo tempo.
Onde a pressão de custo está mais forte
Nem todo material subiu na mesma proporção. Os dados mostram disparidade grande entre os insumos:
- Fio de cobre: alta de 30,72% em 12 meses até maio
- Cimento: alta de 14,96% no mesmo período
- Tubos e conexões de PVC: subida de 2,82% só em maio, após alta de 5,11% em abril
- Aço e argamassa: em queda, com recuo de 0,63% e 2,30% respectivamente
Para efeito de comparação, a inflação de materiais em abril e maio costuma ficar perto de 0,40% e 0,23%, segundo a mediana histórica dos últimos dez anos. Em 2026, ficou em 1,35% e 1,15% nesses mesmos meses. Ou seja, bem acima do padrão.
As construtoras estão conseguindo repassar o custo
Apesar da pressão, o setor não está perdendo margem. Um levantamento do Sienge em parceria com o Grupo OLX e a CV CRM mostra que os preços de lançamentos imobiliários acumularam alta de 10,06% em 12 meses, superando a variação de 6,17% do próprio INCC no período.
Na prática, isso quer dizer que as construtoras estão repassando o aumento de custo para o preço final do imóvel, o que sustenta a margem das empresas, mas transfere o peso para quem compra.
Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP, resume o problema: os materiais estão subindo mais que a inflação geral, e esse descompasso já é sentido pelas famílias com renda corrigida apenas pelo índice oficial.
O reflexo nas vendas
Esse cenário já aparece nos números de venda. Uma pesquisa do Secovi-SP apontou queda de 10,1% na velocidade de vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo, nos doze meses até abril. A retração é maior entre famílias de classe média, com renda entre R$ 13 mil e R$ 30 mil, faixa mais sensível aos juros altos e à perda de poder de compra.
O que fazer se você está de olho em um imóvel na planta
Diante desse cenário, alguns pontos merecem atenção antes de fechar contrato:
- Pergunte à construtora qual índice corrige as parcelas durante a obra e simule cenários com reajuste acima da média histórica
- Priorize imóveis com previsão de entrega mais curta, já que menos tempo de obra significa menos exposição à variação do INCC
- Fique de olho em construtechs que usam inteligência artificial para dar mais previsibilidade de custo e prazo, como a GetHome, que promete travar orçamento e cronograma no momento da contratação
- Reforce sua reserva financeira para absorver eventuais reajustes acima do esperado
O cenário não é de pânico, mas exige planejamento. Segundo o Secovi-SP, o setor deve seguir com o INCC descolado da inflação geral nos próximos anos, então quem compra na planta precisa considerar essa variável na hora de decidir.
Quer entender melhor como os custos da construção impactam seu financiamento ou sua obra? Acompanhe as próximas análises aqui no portal.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que a inflação da construção civil disparou em 2026?
R: A guerra no Oriente Médio elevou o preço de matérias-primas usadas na construção, o que pressionou o INCC-DI para cima. A projeção inicial de 5,9% a 6% subiu para uma estimativa de 8,3% ao final do ano.
P: O INCC afeta as parcelas de imóvel comprado na planta?
R: Sim. Durante a fase de obras, as parcelas costumam ser corrigidas pelo INCC, não pelo IPCA. Com o índice em alta, o valor das prestações tende a subir mais do que o esperado.
P: Quais materiais de construção mais subiram de preço?
R: O fio de cobre lidera, com alta de 30,72% em 12 meses até maio, seguido do cimento, com 14,96%. Aço e argamassa, ao contrário, registraram queda no período.
P: As construtoras estão perdendo dinheiro com o aumento de custo?
R: Não, no agregado. Um levantamento do Sienge mostra que os preços dos lançamentos subiram 10,06% em 12 meses, acima da variação de 6,17% do INCC, o que indica que o setor está repassando os custos para o preço final.
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