Conteúdo
- 1. Por que a industrialização vira caminho quase obrigatório
- 1.1. Salário melhorou, mas o trabalho pesado ainda afasta jovem
- 1.2. Reforma tributária pode ser neutra para imóvel popular
- 1.3. FAQ – Perguntas Frequentes
- 1.3.1. P: Por que a mão de obra na construção civil está em queda, segundo o CEO da MRV?
- 1.3.2. P: A reforma tributária vai encarecer o preço dos imóveis?
- 1.3.3. P: Por que os jovens evitam trabalhar na construção civil mesmo com salário competitivo?
- 1.3.4. P: Qual é a idade média do comprador de imóvel da MRV?
Se você trabalha com construção civil, esse diagnóstico do CEO da MRV&CO vale sua atenção. Em entrevista, Eduardo Fischer afirmou que o setor vive um paradoxo real: a demanda segue forte, com déficit de 6 milhões de moradias no Brasil, o crédito existe, mas cada vez menos gente quer construir.
Segundo Fischer, a dificuldade de mão de obra no setor é estrutural, e ele não vê sinal de reversão desse cenário. O problema também não é exclusivo do Brasil. Ele citou uma conversa com uma empresa chinesa em que a idade média do operário da construção civil no país já chega a 51 anos, reflexo direto de uma economia dinâmica onde o jovem tem mais opção de trabalho e prioriza outras coisas.
Por que a industrialização vira caminho quase obrigatório
Para Fischer, essa escassez de mão de obra é uma força tão forte que empurra o setor inteiro na direção da industrialização. E o momento ajuda: segundo ele, as indústrias de componentes estão hoje muito mais maduras e sofisticadas para dar esse salto.
Ele conecta esse movimento diretamente à reforma tributária. Na visão do executivo, a reforma pode ser o primeiro passo concreto nessa transição, ao permitir que incorporadores médios e pequenos, não só as grandes construtoras, tenham acesso a novas tecnologias sem punição tributária.
Se você trabalha com incorporação de porte médio ou pequeno, esse é um ponto prático: a reforma pode nivelar o acesso a soluções industrializadas que hoje ficam mais restritas a grandes players com escala.
Salário melhorou, mas o trabalho pesado ainda afasta jovem
Um ponto direto da entrevista responde a uma dúvida recorrente do setor: por que o jovem prefere dirigir aplicativo a trabalhar em obra? Segundo Fischer, quando ele começou na profissão, a construção civil era uma das indústrias mais mal remuneradas. Isso mudou. Hoje os salários médios são altos, bem maiores do que ganha um motorista de aplicativo.
O problema, segundo ele, está em outro fator: a indústria é fisicamente desgastante, exposta a sol e chuva. Diante disso, o jovem faz uma escolha racional, mesmo com salário competitivo. Isso reforça, na visão dele, por que a industrialização deixa de ser tendência e vira necessidade estrutural.
Reforma tributária pode ser neutra para imóvel popular
Sobre o temor de encarecimento do imóvel com a reforma tributária, Fischer foi cauteloso. Ele reconhece que ninguém consegue cravar esse efeito hoje, já que depende de como a indústria de insumos vai reagir. Mas segundo ele, a expectativa do setor, discutida durante as negociações da reforma, é de neutralidade, especialmente para imóveis de interesse social, já que a legislação buscou incluir redutores específicos para evitar encarecimento nessa faixa.
O perfil do comprador está mudando
Outro dado relevante para quem projeta empreendimento residencial: a idade média do comprador MRV hoje é 31 anos, geralmente adquirindo o primeiro imóvel. Segundo Fischer, o sonho da casa própria continua forte, mas essa geração amadurece financeiramente mais tarde, tem menos filhos e pode alugar antes de comprar.
Isso também explica, segundo ele, por que produtos compactos de dois dormitórios seguem atendendo famílias reais, e não apenas investidores, mesmo com a configuração familiar mudando.
O que fica para quem trabalha no setor
Se você atua com construção civil, projeto ou incorporação, a leitura de Fischer aponta uma direção clara: investir em industrialização e componentização deixou de ser aposta de longo prazo e virou resposta direta a um problema que não vai se resolver sozinho. Vale acompanhar como a reforma tributária, ao entrar em vigor nos próximos meses, vai afetar o acesso de empresas menores a essas tecnologias.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que a mão de obra na construção civil está em queda, segundo o CEO da MRV?
R: Segundo Eduardo Fischer, o problema é estrutural e não exclusivo do Brasil. Ele cita o exemplo da China, onde a idade média do operário da construção já é de 51 anos, reflexo de jovens com mais opções de trabalho numa economia dinâmica.
P: A reforma tributária vai encarecer o preço dos imóveis?
R: O CEO da MRV afirma que ainda é incerto, mas a expectativa do setor é de neutralidade, especialmente para imóveis de interesse social, já que a legislação incluiu redutores específicos para evitar encarecimento nessa faixa.
P: Por que os jovens evitam trabalhar na construção civil mesmo com salário competitivo?
R: Segundo Fischer, o salário hoje é maior do que o de motorista de aplicativo, mas o trabalho fisicamente desgastante, exposto a sol e chuva, faz com que o jovem opte por outras alternativas.
P: Qual é a idade média do comprador de imóvel da MRV?
R: A idade média é de 31 anos, geralmente na compra do primeiro imóvel, um público que amadurece financeiramente mais tarde e tem configuração familiar diferente das gerações anteriores.
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