Conteúdo
- 1. O peso dos juros no caixa das lojas
- 2. O trunfo do setor: demanda que não para
- 3. Como foi o primeiro semestre de 2026 para as lojas
- 4. O consumidor mudou e o atendimento acompanhou
- 5. O que isso significa para quem tem loja de material de construção
- 6. FAQ – Perguntas Frequentes
- 6.1. P: Por que o varejo de materiais de construção resiste melhor aos juros altos?
- 6.2. P: Como foi o faturamento das lojas de material de construção no primeiro semestre de 2026?
- 6.3. P: Qual é o maior desafio financeiro dos lojistas com a Selic em 14%?
- 6.4. P: Qual o tamanho do varejo de materiais de construção no Brasil?
- 6.5. Fonte:
Com a Selic ainda em 14% ao ano, o custo de capital segue sendo uma das maiores dores do comércio brasileiro. Mesmo assim, o varejo de materiais de construção conta com uma característica que ajuda a segurar o tranco: a demanda pelo produto quase nunca para por completo.
O peso dos juros no caixa das lojas
O Comitê de Política Monetária do Banco Central definiu nesta quarta-feira, 16 de setembro, o novo patamar da taxa básica de juros. Apesar dos cortes recentes, o nível continua entre os mais elevados das últimas décadas, o que encarece diretamente o custo de capital de quem precisa financiar vendas.
Segundo Marcos Atchabaian, sócio da Village Materiais de Construção, empresa com 46 anos de atuação, esse é justamente o maior problema enfrentado pelo varejo hoje. O lojista precisa financiar a venda ao cliente sem ter a mesma contrapartida junto aos fornecedores, o que muitas vezes obriga a recorrer a crédito bancário caro. Sem controle rigoroso de fluxo de caixa, o resultado é um problema sério de saúde financeira.
O dado ajuda a dimensionar o que está em jogo. A cadeia produtiva de materiais de construção responde por cerca de 6,6% do PIB brasileiro, e só o ecossistema varejista, com mais de 160 mil lojas espalhadas pelo país, movimenta R$ 238,9 bilhões, segundo a Anamaco.
O trunfo do setor: demanda que não para
A diferença entre o varejo de materiais de construção e outros segmentos está na natureza da compra. Segundo Atchabaian, esse não é um mercado movido por vaidade. Um consumidor pode adiar a compra de um sofá novo até um momento mais favorável, mas quem está construindo, reformando ou apenas fazendo manutenção da casa não consegue simplesmente parar.
Essa demanda funciona como uma espécie de amortecedor: ela pode ser maior ou menor dependendo do momento econômico, mas dificilmente desaparece, porque envolve necessidade real e não desejo de consumo.
Ainda assim, o empresário considera fundamental que a tendência de queda da Selic se mantenha para destravar valor em todo o varejo. Ele também aponta a reforma tributária como gatilho importante para melhorar a gestão dos negócios no país, criticando o sistema tributário atual como complicado, burocrático e disfuncional a ponto de afastar empresas estrangeiras que tentam entender as regras brasileiras.
Como foi o primeiro semestre de 2026 para as lojas
Os números da Anamaco mostram um cenário majoritariamente de estabilidade no varejo de materiais de construção neste ano.
| Percepção sobre o faturamento | % das lojas |
|---|---|
| Ficou próximo a 2025 | 51% |
| Piorou | 29% |
| Melhorou | 20% |
Entre quem percebeu piora, o cenário econômico liderou as justificativas, com 46%, seguido por medidas políticas (42%), custos (17%), concorrência (9%) e eventos específicos (7%).
Já entre as lojas que registraram melhora, o principal motivo apontado foram as ações realizadas pelo próprio negócio, com 29%. Na sequência aparecem o aumento no número de obras, reformas e construções (25%) e a política de preços adotada (19%).
O consumidor mudou e o atendimento acompanhou
A Pesquisa Anamaco 2026, feita com 2.007 varejistas das cinco regiões do país, mostra que quase a totalidade das lojas já atende clientes por WhatsApp. Mas a mudança vai além do canal de atendimento.
Priscila Freitas, gerente de marketing da Marluvas, empresa especializada em equipamentos profissionais, destaca que o consumidor chega à loja muito mais informado e atento ao custo-benefício. Ela cita um raciocínio prático: diante de um produto de R$ 28 que dura seis meses e outro de R$ 50 que dura dois anos, a conta de longo prazo favorece o item mais caro.
Para a executiva, essa conscientização fortalece o posicionamento do setor no Brasil e pressiona fabricantes a investirem mais em tecnologia e em produtos de maior durabilidade.
O que isso significa para quem tem loja de material de construção
Se você atua no varejo de materiais de construção, três pontos merecem atenção prática neste momento:
- Fluxo de caixa é prioridade absoluta: financiar venda sem prazo equivalente junto ao fornecedor é o ponto que mais quebra lojistas em cenário de juros altos
- Argumento de durabilidade vende mais que preço baixo: o consumidor está fazendo conta de longo prazo, então mostrar custo por ano de uso pode aumentar o ticket médio
- Ação própria da loja pesa mais que a economia: entre quem melhorou o faturamento, a principal justificativa foram iniciativas do próprio negócio, não o cenário externo
As declarações foram colhidas durante o Summit Americas e ExpoShow, evento realizado pela Atlas no Panamá, que vai até quinta-feira, 17, reunindo mais de 600 empresários do setor vindos de 28 países.
Continue acompanhando o Portal de Notícias da Construção para mais análises sobre o mercado de materiais de construção e o impacto dos juros no setor.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que o varejo de materiais de construção resiste melhor aos juros altos?
R: Porque a demanda do setor é considerada permanente. Diferente de itens de vaidade, obras, reformas e manutenção de casas não podem ser adiadas indefinidamente pelo consumidor.
P: Como foi o faturamento das lojas de material de construção no primeiro semestre de 2026?
R: Segundo a Anamaco, 51% das lojas registraram faturamento próximo ao de 2025, 29% tiveram piora e 20% perceberam melhora.
P: Qual é o maior desafio financeiro dos lojistas com a Selic em 14%?
R: Financiar a venda ao cliente sem ter prazo equivalente junto aos fornecedores, o que força o lojista a recorrer a crédito bancário com juros elevados.
P: Qual o tamanho do varejo de materiais de construção no Brasil?
R: São mais de 160 mil lojas espalhadas pelo país, movimentando R$ 238,9 bilhões, dentro de uma cadeia produtiva que representa cerca de 6,6% do PIB.




