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O Minha Casa, Minha Vida virou o motor da construção residencial brasileira, e o setor quer garantir que ele continue girando depois da eleição presidencial. Representantes de incorporadoras e de entidades do mercado defendem que o programa seja tratado como política de Estado, com regras estáveis independentemente de quem vença a disputa de 2026.
O pedido ganhou força depois do primeiro turno, em meio à incerteza sobre como o próximo governo vai lidar com subsídios, fontes de financiamento e regras do programa, segundo reportagem do Estadão.
O programa já sustenta a maior parte da obra residencial
Para quem trabalha em canteiro, o argumento do setor tem um número de peso. Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), entre setembro de 2025 e agosto de 2026, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 86,7% das unidades lançadas e por 83% das unidades vendidas no país.
| Indicador (set/2025 a ago/2026) | Participação do MCMV |
|---|---|
| Unidades lançadas | 86,7% |
| Unidades vendidas | 83% |
Esse desempenho levou à criação de empresas voltadas exclusivamente à habitação econômica e fez incorporadoras tradicionais ampliarem a exposição ao segmento. Na prática, boa parte da demanda por mão de obra, materiais e serviços da construção residencial está ligada ao programa.
O que o setor está pedindo
O CEO do GRI Institute, Gustavo Favaron, avalia que transformar o programa em política de Estado reduziria a dependência do ciclo eleitoral. Segundo ele, o ganho seria mais previsibilidade para a compra de terrenos, os lançamentos e o financiamento da produção.
O presidente-executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, afirma que a entidade não tem preferência entre os cenários eleitorais, desde que três condições sejam atendidas:
- Continuidade do programa, independentemente do resultado da eleição.
- Manutenção dos recursos do FGTS e da caderneta de poupança direcionados à habitação.
- Recuo dos juros, apontados como um dos principais entraves ao crédito.
O setor também pede reforço do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), fonte tradicional de crédito para a classe média.
Por que o prazo de uma obra complica a conta
Um dos pontos mais fortes da defesa é o tempo de maturação de um empreendimento. Segundo Wertheim, o projeto pode levar de sete a oito anos entre a aprovação e a entrega das chaves, período que costuma atravessar mais de um mandato presidencial.
Para a construtora, isso significa que decisões de terreno, projeto e venda na planta são tomadas com base nas regras de hoje. Se o rumo muda no meio do caminho, o planejamento financeiro de quem já comprou terreno, aprovou o projeto e começou a vender unidades pode ser afetado.
Juros altos pressionam a outra ponta do mercado
Enquanto o Minha Casa, Minha Vida sustenta a faixa de renda mais baixa, a classe média enfrenta outro obstáculo: o nível elevado dos juros. Favaron associa essa taxa à falta de controle das contas públicas e avalia que isso dificulta a estruturação de novos projetos.
O coordenador do curso de negócios imobiliários da FGV-SP, Alberto Ajzental, segue a mesma linha e relaciona o déficit fiscal, o endividamento público e a inflação à permanência de juros altos.
Na leitura do setor, preservar o programa resolve só parte da equação. Sem melhora no cenário macroeconômico, o financiamento da classe média continua pressionado, o custo de capital das incorporadoras fica mais alto e as famílias perdem poder de compra.
O que isso significa na prática para você
A discussão é política, mas o efeito aparece na obra. Algumas leituras úteis, a partir do que o setor aponta:
- Se você é construtor ou incorporador: concentre parte do planejamento em prazos longos. Com ciclos de sete a oito anos, vale revisar a exposição a um único programa ao comprar terrenos novos.
- Se você é fornecedor de materiais ou serviços: a maior parte dos lançamentos está ligada ao MCMV, então acompanhe as regras do programa. Mudanças nelas podem alterar o ritmo dos seus pedidos.
- Se você trabalha em obra: o aquecimento da construção residencial depende em boa medida do programa. Manter a qualificação em dia ajuda a ocupar as vagas quando o ritmo é forte.
- Se você atua com crédito ou vendas: os três pontos do Secovi-SP (continuidade, recursos do FGTS e da poupança, e juros menores) tendem a aparecer repetidamente no debate eleitoral. Acompanhe como cada candidatura trata o assunto.
- Se você pensa em lançar um empreendimento: considere o impacto dos juros no custo de capital e na capacidade de compra do seu público, mesmo com o programa mantido.
O que o setor pede, no fim, é previsibilidade. Em uma atividade em que o projeto atravessa mais de um governo, regras estáveis pesam tanto quanto o volume de crédito.
Continue acompanhando o nosso portal para ver como essa discussão evolui e o que ela significa para as obras e para o financiamento habitacional.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que o setor quer o Minha Casa, Minha Vida como política de Estado?
R: Para reduzir a dependência do programa em relação ao ciclo eleitoral e dar mais previsibilidade à compra de terrenos, aos lançamentos e ao financiamento da produção habitacional.
P: Qual é o peso do MCMV nos lançamentos de imóveis?
R: Segundo a Abrainc, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, o programa respondeu por 86,7% das unidades lançadas e 83% das vendidas no Brasil.
P: O que o Secovi-SP pede além da continuidade do programa?
R: A manutenção dos recursos do FGTS e da poupança direcionados à habitação e o recuo dos juros. O setor também pede reforço do SBPE.
P: Por que o prazo de um empreendimento importa nessa discussão?
R: Porque, segundo o Secovi-SP, um projeto pode levar de sete a oito anos entre a aprovação e a entrega, período que normalmente passa por mais de um mandato presidencial.
Fonte de Referência
Web Imóveis | MCMV: setor pede continuidade do programa e juros menores |





