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IA na construção civil: por que os dados travam o avanço

transformação digital construção

O uso de IA na construção civil cresce rápido, mas a maioria das construtoras ainda não consegue transformar a tecnologia em resultado. É o que mostram levantamentos recentes citados em reportagem do Computer Weekly Brasil, publicada em 15 de outubro. O gargalo não é o software. É a falta de dados organizados e de capacidade de gestão.

O interesse cresce e o mercado também

Os números de adoção mostram um setor em movimento. Segundo a Fortune Business Insights, o mercado global de IA na construção foi avaliado em US$ 4,86 bilhões em 2025. A projeção é que passe de US$ 6,02 bilhões neste ano para US$ 35,52 bilhões até 2034.

No Brasil, o Termômetro Falconi da Construção Civil indica que o uso de IA mais que dobrou, de 15% em 2023 para 38% em 2025. Um estudo da Accenture aponta que a tecnologia pode elevar os lucros do setor em cerca de 71% até 2035.

Interesse não é o mesmo que implementação

A outra face dos dados aparece no relatório AI in Construction Report 2025, do Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS), que ouviu mais de 2.200 profissionais no mundo.

Indicador (RICS) Resultado
Organizações que ainda não usam IA em projetos cerca de 45%
Organizações em fase inicial de testes 34%
Uso plenamente incorporado em toda a organização menos de 1%
Uso regular em processos específicos pouco menos de 12%
Uso em múltiplos processos 1,5%

As barreiras citadas pelos participantes explicam esse descompasso:

  • 46% apontaram falta de profissionais capacitados.
  • 37% citaram dificuldade de integração com sistemas existentes.
  • 30% indicaram problemas de qualidade e disponibilidade dos dados.

O Informe Ascendat de Maturidade Digital, da consultoria Minsait, com 900 organizações de vários setores e países, reforça o contraste. Entre as empresas de construção consultadas, 83% enxergam a IA como ferramenta para ganhar eficiência e 60% disseram usá-la para melhorar a gestão e o planejamento de projetos. Quando a régua é o uso regular em processos, como na pesquisa da RICS, o percentual cai bastante.

Por que a IA pode piorar o que já está ruim

Para o engenheiro civil Renato Lerner, fundador da Elevare Capability, o risco é adotar a tecnologia sem arrumar a casa antes. Na avaliação dele, a IA aumenta muito a velocidade da informação dentro de uma construtora, mas velocidade não corrige dado ruim. Se os dados não são confiáveis e os processos não têm estrutura, a tecnologia só faz o erro circular mais rápido.

Lerner afirma que o principal desafio do setor não é a tecnologia em si. É a falta de dados organizados e a resistência a uma cultura de gestão orientada por informação. Em uma construtora, os dados relevantes ficam espalhados entre orçamento, planejamento, compras, financeiro, contratos, campo e direção. Se cada área trabalha com uma versão diferente da realidade, a IA não elimina a inconsistência.

Três perguntas antes de investir em IA

Ele propõe um teste simples, com três perguntas que deveriam vir antes de qualquer projeto relevante de inteligência artificial:

  • Os dados que a empresa usa representam de forma confiável o que acontece nas obras?
  • A informação chega à liderança rápido o bastante para permitir uma decisão?
  • As previsões da organização costumam se confirmar na realidade?

Crescer mais rápido do que a gestão aguenta

A proposta central de Lerner é identificar, com apoio de IA e indicadores próprios, quando uma construtora cresce em ritmo superior à capacidade da sua estrutura administrativa. Segundo ele, esse é um fator crítico e silencioso por trás de crises de liquidez no setor.

A metodologia combina cerca de 90 perguntas aos tomadores de decisão com análise preditiva e prescritiva orientada por IA. O resultado são relatórios que apontam pontos críticos antes que eles comprometam a solvência do negócio. A Elevare, construtech criada para atender pequenas e médias construtoras, aplica esse modelo.

Para Lerner, uma empresa pode ter painéis sofisticados e ainda descobrir os problemas tarde demais. O objetivo, diz ele, não é produzir mais informação, e sim reduzir a distância entre o que acontece na operação, o momento em que a empresa percebe e a hora em que consegue agir.

O que isso significa na prática para você

Se você toca uma construtora ou trabalha com gestão de obras, estes passos ajudam a não cair na armadilha da ferramenta sem base:

  • Faça as três perguntas hoje: responda com honestidade se seus dados refletem a obra, se a informação chega a tempo e se suas previsões se confirmam.
  • Unifique as versões da realidade: se orçamento, compras e campo falam números diferentes, resolva isso antes de contratar qualquer solução de IA.
  • Comece por um processo só: os dados da RICS mostram que poucas empresas usam IA em vários processos. Escolher um, como planejamento ou controle de custos, é mais realista.
  • Olhe o ritmo de crescimento: se sua empresa está crescendo mais rápido do que a equipe administrativa consegue acompanhar, o risco de caixa aumenta, com ou sem tecnologia.
  • Invista em gente: a falta de profissionais capacitados foi a barreira mais citada, com 46%.

Se você é pequeno ou médio, o recado é direto. Organizar a informação tende a render mais do que comprar a ferramenta mais avançada.

Continue acompanhando o nosso Portal de Notícia da Construção para ver mais notícias sobre tecnologia, gestão e produtividade na construção civil.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: Quantas construtoras usam IA hoje?

R: O Termômetro Falconi da Construção Civil indica 38% de uso em 2025, contra 15% em 2023. Já o relatório da RICS mostra que cerca de 45% das organizações ainda não usavam IA em projetos e que menos de 1% tinham uso plenamente incorporado.

P: Quais são as maiores barreiras para usar IA na construção civil?

R: Segundo a RICS, falta de profissionais capacitados (46%), dificuldade de integração com sistemas existentes (37%) e problemas de qualidade e disponibilidade dos dados (30%).

P: A IA pode prejudicar uma construtora?

R: Segundo o engenheiro Renato Lerner, adotar IA sem dados confiáveis e processos estruturados pode acelerar ineficiências, porque a tecnologia faz o erro circular mais rápido.

P: O que avaliar antes de investir em IA?

R: Três pontos: se os dados representam a realidade das obras, se a informação chega à liderança a tempo de apoiar decisões e se as previsões da empresa costumam se confirmar.

Fonte de Referência:

Computer Weekly Brasil

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Manoel Monteiro

Escritor

“Como escritor de artigos para blog, transformo suas ideias em conteúdo envolvente e informativo. Com ampla expertise em diversos tópicos, ofereço artigos personalizados que atraem leitores e impulsionam a presença online do seu blog, seja qual for o seu nicho. Conte comigo para criar conteúdo de alta qualidade que eleve a autoridade e o engajamento do seu blog.”

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