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Mulheres na construção civil: empresas dos EUA mudam regras

Mulheres na construção civil ganham espaço nos EUA

A presença de mulheres na construção civil ainda é pequena, mas cresce de forma constante nos Estados Unidos. Empresas do setor, que enfrentam falta de trabalhadores e precisam de mão de obra, passaram a oferecer licença-maternidade remunerada, mais flexibilidade e canteiros mais acolhedores para atrair e manter profissionais. A tendência foi descrita em reportagem do The Wall Street Journal, traduzida e publicada pelo InvestNews em 4 de novembro.

O tamanho da mudança em números

O governo americano acompanha a participação feminina em um grupo que reúne construção, instalação e reparos, com profissões como encanadora, carpinteira e mecânica de automóveis. No ano passado, as mulheres eram cerca de 4,4% desses trabalhadores. Dez anos antes, o índice era de 2,9%.

Indicador Resultado
Mulheres em construção, instalação e reparos (ano passado) cerca de 4,4%
Mesmo indicador, dez anos antes 2,9%
Mulheres entre alunos do Universal Technical Institute (UTI) 8%
Proporção no UTI cinco anos atrás um quarto do atual
Máximo em áreas como reparação de colisões e pintura automotiva no UTI 19%
Mulheres entre profissionais especializados da construtora Mortenson mais de 10% (eram 7% há dez anos)

O percentual ainda é baixo, mas a curva é de alta em um setor tradicionalmente masculino.

O que atrai as mulheres para esses empregos

O principal atrativo é o salário. Sammy Cossairt, de 36 anos, é operadora de guindaste de torre em Nashville, no Tennessee, e ganha US$ 120 mil por ano. Ela trabalha em turnos de 12 horas, ajudando a içar vergalhões de aço e caçambas de concreto, e diz que gosta do trabalho. Na avaliação dela, muitas mulheres se interessariam se soubessem que podem ganhar o mesmo que os homens na função.

A tecnologia também pesa. Katie Yurick, diretora de serviços de carreira de uma unidade do UTI, em Exton, na Pensilvânia, explica que o setor incorporou computadores e novas ferramentas. Profissões como soldagem e serviços elétricos pedem tanto raciocínio e atenção a detalhes quanto força física, e as tarefas já não são tão sujas quanto antes. Segundo ela, empregadores também comentam que procuram mulheres por considerá-las atentas e maduras.

Benefícios que as empresas estão criando

A vice-presidente executiva da construtora Mortenson, Maja Ericksen, afirma que o setor precisa dessa força de trabalho. Desde 2024, a empresa oferece 12 semanas de licença remunerada às funcionárias que dão à luz e trabalham em equipes de profissionais especializados. Ela também lembra que as profissões técnicas estão entre as menos expostas aos efeitos da inteligência artificial.

Na Turner Construction, a engenheira de projetos Kym Gardner, de 39 anos, em Charlotte, na Carolina do Norte, começa o dia no canteiro e trabalha de forma remota à tarde. Mãe de três filhos, incluindo um bebê de cinco meses, ela diz que a flexibilidade traz tranquilidade para conciliar o trabalho e a família.

A Turner cresce rápido e precisa de trabalhadores. A receita foi de US$ 29 bilhões no ano passado e deve chegar a cerca de US$ 35 bilhões neste ano, impulsionada em parte por projetos de centros de dados. O presidente da empresa, Abrar Sheriff, diz que o setor precisa de mais gente.

Canteiros mais acolhedores

Parte da estratégia é melhorar as condições físicas das obras. A Turner investe em banheiros com água corrente, aquecimento, ar-condicionado e áreas de descanso limpas com frequência.

A Skanska adotou medidas práticas, como garantir que funcionárias recebam luvas, capacetes e botas do tamanho certo, em vez de equipamentos feitos para homens. Deila Ray, que foi soldadora de tubulações por dez anos e hoje dá aulas da profissão em uma escola de ensino médio, conta que precisou encolher as próprias luvas com fogo quando começou.

Neste ano, a Skanska também passou a exigir que todos os líderes de equipe adotem práticas de inclusão, segundo Ayesha Adams, primeira diretora de cultura e engajamento da empresa, no cargo desde 2023. A pergunta que ela faz é simples: contratar é fácil, mas como fazer as pessoas permanecerem?

Alguns estados dos EUA também criaram regras. Washington e Illinois aprovaram leis que exigem salas de amamentação nos canteiros, geladeiras para guardar leite materno, pausas flexíveis e acesso à água para higiene.

O desafio do assédio e do respeito

O ambiente de trabalho continua sendo um obstáculo. Na Turner, executivos seniores fazem uma reunião por telefone em até quatro horas depois de qualquer denúncia. Em um caso recente no Texas, toda a equipe de uma empreiteira terceirizada, com cerca de uma dúzia de homens, foi substituída porque a empresa não conseguiu identificar quem havia escrito pichações ofensivas sobre funcionárias.

Rebecca Heustess, de 42 anos, encarregada de uma equipe de assentamento de azulejos em Henry, na Dakota do Sul, ganha US$ 65 mil por ano. Depois de 20 anos no setor, ela diz que ainda encontra homens que a tratam com condescendência ou ignoram suas instruções. Mesmo assim, avalia que a cultura dos canteiros melhora devagar e afirma que ama o trabalho, porque deixa uma obra bonita que vai durar muitos anos.

O que isso significa na prática para você

A reportagem trata dos Estados Unidos, mas os pontos servem de referência para o Brasil, onde dados da RAIS de 2024 indicam que as mulheres são 11,5% da força de trabalho formal da construção civil:

  • Se você é construtora ou gestora de obra: pequenos ajustes, como EPI no tamanho certo, banheiros adequados e áreas de descanso limpas, custam pouco e ajudam a reter profissionais.
  • Se você é mulher e pensa em entrar no setor: funções técnicas, como operação de guindaste, soldagem e elétrica, têm demanda e podem oferecer salários altos. Procure cursos de qualificação gratuitos na sua cidade.
  • Se você lidera equipes: treine encarregados e mestres de obras para tratar as pessoas com respeito e definir um canal claro para denúncias. Responder rápido foi a regra citada pela Turner.
  • Se você trabalha com recursos humanos: pense em flexibilidade de horário e apoio à maternidade. As empresas citadas na reportagem tratam esses benefícios como estratégia para reter equipes.
  • Se você é empreiteiro ou subcontratado: a reportagem mostra que um caso de assédio pode custar a contratação inteira da equipe. Ter regras de conduta claras evita problemas com o contratante.

Continue acompanhando o nosso Portal para ver mais notícias sobre mercado de trabalho, qualificação e inclusão na construção civil.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: Qual é a participação de mulheres na construção civil dos EUA?

R: Segundo a reportagem do The Wall Street Journal, as mulheres eram cerca de 4,4% dos trabalhadores de construção, instalação e reparos no ano passado, contra 2,9% dez anos antes.

P: O que as empresas estão oferecendo para atrair mulheres?

R: Licença-maternidade remunerada, mais flexibilidade de horário, equipamentos de proteção no tamanho certo, canteiros com melhores condições e regras mais firmes contra assédio.

P: As mulheres ganham bem nessas profissões?

R: A reportagem cita uma operadora de guindaste que ganha US$ 120 mil por ano e uma encarregada de assentamento de azulejos com US$ 65 mil por ano.

P: O assédio ainda é um problema?

R: Sim. As construtoras citadas dizem ter criado respostas rápidas às denúncias, mas as profissionais ouvidas ainda relatam condescendência e comportamentos hostis em canteiros de obras.

Fonte original

InvestNews, The Wall Street Journal | Construção civil abre espaço para mais mulheres com vagas qualificadas e salários melhores nos EUA

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Manoel Monteiro

Escritor

“Como escritor de artigos para blog, transformo suas ideias em conteúdo envolvente e informativo. Com ampla expertise em diversos tópicos, ofereço artigos personalizados que atraem leitores e impulsionam a presença online do seu blog, seja qual for o seu nicho. Conte comigo para criar conteúdo de alta qualidade que eleve a autoridade e o engajamento do seu blog.”

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