Conteúdo
- 1. Por que o FGTS volta ao centro do debate agora
- 2. Os números do FGTS apresentados no encontro
- 3. Juros altos seguem no radar do setor
- 4. Habitação popular e reforma tributária
- 5. Garantias de imóveis e perspectivas do mercado
- 6. O que isso muda para você
- 7. FAQ – Perguntas Frequentes
- 8. Fonte de Referência:
O FGTS na construção civil foi o assunto central do Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026: Centro-Oeste, realizado na terça-feira (27), no Centro de Convenções de Goiânia. Com o fundo completando 60 anos, empresários, representantes do governo federal e da Caixa discutiram como manter o financiamento da moradia em um cenário de juros altos e crédito caro.
Por que o FGTS volta ao centro do debate agora
Criado em 1966, o FGTS nasceu para garantir uma reserva ao trabalhador e, ao mesmo tempo, financiar o desenvolvimento do país. Hoje ele sustenta boa parte da habitação, do saneamento e da infraestrutura brasileira.
A consultora técnica da CBIC e integrante do Conselho Curador do fundo, Maria Henriqueta, defendeu que o setor se una na defesa dos recursos. O receio é que eles sejam desviados para finalidades que reduzam a capacidade de financiar moradia. Ela citou também que Goiás recebeu R$ 49,5 bilhões em financiamentos com recursos do fundo entre 2016 e 2025.
Os números do FGTS apresentados no encontro
A diretora de Fundos de Governo da Caixa, Danielle Mendonça de Souza dos Reis, traçou a trajetória do fundo. Entre os marcos, estão a centralização das contas na Caixa em 1991 e a criação do Fundo de Investimento do FGTS em 2007. Segundo ela, o aplicativo já responde por 99% das transações de saque.
O secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo, afirmou que o fundo responde por cerca de 83% do financiamento da política habitacional brasileira.
| Indicador | Dado apresentado |
|---|---|
| Ativos do FGTS | R$ 876,7 bilhões |
| Contratações em 2025 | R$ 141,9 bilhões |
| Famílias atendidas na habitação em 2025 | 633 mil |
| Participação do FGTS na política habitacional | cerca de 83% |
| Imóveis contratados no Minha Casa, Minha Vida | 2,7 milhões |
| Municípios com presença do programa | cerca de 95% |
| Financiamentos em Goiás (2016 a 2025) | R$ 49,5 bilhões |
Rabelo também citou medidas para ampliar o acesso, como a modalidade voltada à classe média e a ampliação das faixas de renda. Outra frente é o uso de recursos do Fundo Social, vindos do pré-sal, para complementar o crédito e aliviar a pressão sobre o FGTS na construção civil. Se você quer entender como o programa funciona hoje, veja as novas regras do Minha Casa, Minha Vida em 2026.
Juros altos seguem no radar do setor
A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, mostrou que a taxa de investimento do país está em torno de 16% há quatro anos. A Selic está em dois dígitos desde 2022, o que pesa sobre um setor que depende de crédito.
No mercado de trabalho, ela citou desemprego de 5,3% e cerca de 103 milhões de pessoas ocupadas. Com base no Boletim Focus, as projeções apresentadas foram estas:
| Projeção | 2026 | 2027 |
|---|---|---|
| PIB | 1,80% | 1,31% |
| Inflação | 5,19% | 4,34% |
| Selic (fim do ano) | 13,25% | 11,75% |
Segundo as estimativas, os juros só voltariam a um dígito em 2029. Para quem constrói, isso encarece o financiamento dos empreendimentos. Para quem compra, reduz a capacidade de pagar as parcelas. O tema já aparece nas análises sobre juros altos como maior problema da construção civil e na queda das ações de construtoras após a alta dos juros.
Habitação popular e reforma tributária
O contador Manoel Estevam de Farias Filho, sócio do Grupo Mapah, abordou uma dúvida comum entre prefeituras: habitação popular dá prejuízo ao município? Segundo ele, a resposta depende do saldo fiscal. É preciso comparar a arrecadação trazida pelos novos moradores com os gastos extras em saúde, educação e infraestrutura.
Ele disse que a reforma tributária muda essa conta, porque a cobrança passa gradualmente da origem para o destino. Isso aumenta o peso do consumo local na divisão das receitas. Por isso, defendeu estudos que meçam o efeito de cada empreendimento nas contas públicas. Se esse assunto afeta o seu negócio, confira o que muda na construção civil com a reforma tributária.
O analista político Léo Barreto apresentou uma leitura do cenário após as eleições e dos possíveis reflexos sobre a composição do Congresso. Segundo ele, o momento pede cautela, e as conclusões ainda estão em formação. Ele avaliou que a construção de maiorias para propostas que dependem de amplo apoio pode ficar mais complexa. Para o setor, isso importa porque temas como a reforma tributária e o uso dos recursos do FGTS passam pelo Legislativo.
Garantias de imóveis e perspectivas do mercado
À tarde, o painel do Conselho Jurídico da CBIC tratou de prazos de garantia. Francisco Maia Neto, do Sinduscon-MG, e Leonardo Romeu, do Sinduscon-BA, falaram sobre as diferenças entre os prazos previstos em lei, os tipos de defeito e os direitos do consumidor. A mediação foi de Felipe Melazzo, presidente do Conselho Jurídico da CBIC.
O último painel reforçou o peso do Minha Casa, Minha Vida no mercado imobiliário, principalmente na habitação popular. O encontro foi realizado pela CBIC, com correalização da Ademi-GO e do Sinduscon-GO e apoio da Fieg.
O que isso muda para você
Na prática, o FGTS na construção civil continua sendo a principal fonte de crédito habitacional do país, e qualquer mudança nas regras do fundo afeta o preço e o prazo do seu financiamento.
- Se você é construtor ou incorporador: planeje o fluxo de caixa já contando com Selic alta até 2027. Projetos voltados ao Minha Casa, Minha Vida tendem a ter crédito mais previsível.
- Se você pretende comprar ou construir: confira como usar o saldo na entrada e nas parcelas. Este guia sobre como usar o FGTS na construção da sua casa mostra o passo a passo.
- Se você já financia um imóvel: veja se dá para usar o FGTS para amortizar o financiamento e reduzir o custo total.
Quer acompanhar o que muda no crédito, nos juros e nas regras de moradia? Continue navegando pelo Portal de Noticias da Construção e leia nossas análises atualizadas toda semana.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: O que é o FGTS e há quanto tempo ele existe?
R: O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço foi criado em 1966 para garantir uma reserva financeira ao trabalhador. Também financia habitação, saneamento e infraestrutura. Em 2026, o fundo completa 60 anos.
P: Qual a participação do FGTS no financiamento da habitação?
R: Segundo o Ministério das Cidades, o fundo responde por cerca de 83% do financiamento da política habitacional brasileira, incluindo o Minha Casa, Minha Vida.
P: Até quando a Selic deve continuar alta?
R: Pelas projeções do Boletim Focus apresentadas no encontro, a Selic fecha 2026 em 13,25% e 2027 em 11,75%. A volta a um dígito só ocorreria em 2029.
P: O que mudou na gestão do FGTS ao longo do tempo?
R: Segundo a Caixa, as contas foram centralizadas em 1991 e o Fundo de Investimento do FGTS foi criado em 2007. Hoje o aplicativo concentra 99% das transações de saque.
Fonte de Referência:
CBIC (Agência CBIC) | Encontro CBIC debate importância do FGTS e perspectivas econômicas para a construção civil no Centro-Oeste




