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Fim da 6×1 exigiria 288 mil contratações na construção

Fim da escala 6x1: construção civil teme alta de custos

O fim da escala 6×1 pode encarecer as obras, alongar prazos e reduzir o ganho de parte dos trabalhadores da construção civil. É o que apontam as entidades do setor, que divulgaram estimativas depois da aprovação da PEC no Senado, na noite de quarta-feira (14). A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) calcula que seriam necessários 288 mil trabalhadores a mais para repor as horas que deixariam de ser trabalhadas.

O que a CBIC estima para o setor

A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário, pode elevar em até 15% o custo direto da mão de obra nos canteiros, segundo a entidade. O custo total das obras subiria pelo menos 6%.

Os números da CBIC consideram salários e encargos básicos. A conta de contratar gente para cobrir as horas perdidas chega a R$ 13,5 bilhões por ano, o que equivale a quase 600 milhões de horas de trabalho a menos a cada ano.

Estimativa da CBIC Valor
Alta no custo direto da mão de obra até 15%
Alta no custo total das obras pelo menos 6%
Custo anual de repor as horas R$ 13,5 bilhões
Trabalhadores adicionais necessários 288 mil
Horas anuais a menos de trabalho quase 600 milhões

Todos esses números são projeções das entidades do setor, e não resultados já medidos.

Impacto na habitação e nos preços dos imóveis

A preocupação central da CBIC é que o efeito ultrapasse as construtoras e chegue à população, principalmente às famílias de menor renda, que dependem de programas habitacionais, obras públicas e serviços essenciais.

Para o setor, o aumento de custos pode inviabilizar empreendimentos de margem apertada, como os de habitação popular, e pressionar o preço final do imóvel. O SindusCon-SP projeta alta de 5% a 6% nos preços dos imóveis residenciais. A entidade também afirma que obras de infraestrutura e de habitação popular, como as do Minha Casa, Minha Vida, ficariam inviáveis sem reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

As projeções da CBIC indicam cerca de 30 mil unidades habitacionais financiadas a menos por ano, com impacto potencial sobre 83 mil pessoas. Em cinco anos, o acumulado poderia chegar a 150 mil unidades e 415 mil pessoas.

Prazos de obra e escassez de profissionais

O Secovi-SP, sindicato do setor imobiliário paulista, avalia que menos horas disponíveis podem alongar o prazo de execução das obras. O efeito tende a ser mais sentido na construção porque o trabalho depende da coordenação entre várias equipes e etapas.

Há um segundo obstáculo. O setor já enfrenta falta de profissionais especializados, o que limita a possibilidade de compensar a jornada menor apenas com novas contratações.

Quem recebe por produtividade pode ganhar menos

O Secovi-SP também chama atenção para a remuneração. Na construção, trabalhar menos dias pode significar produzir menos e, por consequência, receber menos, mesmo que a mudança tenha o objetivo de melhorar as condições de trabalho.

O contrato do trabalhador faz diferença. Parte dos profissionais é mensalista, com salário fixo, modelo comum entre pedreiros, serventes, carpinteiros e eletricistas com carteira assinada. Outros são horistas, cuja remuneração varia conforme as horas trabalhadas, segundo a legislação e as convenções coletivas. A convenção da construção civil do Distrito Federal para 2026, por exemplo, define pisos mensais e por hora, com referência de 220 horas mensais.

O presidente-executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, afirmou que aplicar uma regra geral a todas as atividades como se fossem iguais é um erro. Para ele, a negociação direta entre as partes é sempre o melhor caminho.

O que muda com o fim da escala 6×1

Segundo o quadro apresentado na reportagem, o texto da PEC altera os seguintes pontos:

Tema Como é hoje Como fica
Jornada Até 8 horas por dia e 44 horas semanais Até 8 horas diárias e 40 horas semanais, com limite de 42 horas no primeiro ano
Descanso Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos Dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos
Escala Não definida na Constituição, com limite de 44 horas semanais Escala 5×2, com regimes especiais mantidos para certas categorias
Hora extra Adicional de 50%, com limite de duas horas extras por dia Na transição, acordos coletivos poderão prever jornada diária maior para compensar a escala 5×2, sem pagamento como extra
Banco de horas Permitido por acordo ou convenção coletiva Sem nova regra, adoção conforme negociação
Acordos coletivos Podem prever arranjos diferentes, respeitada a Constituição Mantém a possibilidade de compensação de horários e outros arranjos

O que o setor propõe como saída

A CBIC defende qualificação profissional, industrialização dos processos construtivos e ganhos de produtividade como caminhos para diminuir os efeitos econômicos da mudança. A entidade também afirma que o reequilíbrio de contratos de infraestrutura deve ser analisado caso a caso.

O SindusCon-SP argumenta que uma mudança acelerada, sem medidas para elevar a produtividade, pode prejudicar justamente os trabalhadores que a proposta quer beneficiar. As entidades pedem que a implementação considere as particularidades do setor e a capacidade das empresas de reorganizar o trabalho.

No saneamento, a CBIC calcula que um aumento de 10% no custo da mão de obra, que responde por 34,2% dos custos de referência das obras do setor, elevaria a necessidade anual de investimentos de R$ 56,3 bilhões para R$ 58,23 bilhões. O déficit anual passaria de R$ 11,8 bilhões para R$ 13,73 bilhões, com necessidade adicional de R$ 19,3 bilhões em dez anos.

O que isso significa na prática para você

O impacto do fim da escala 6×1 muda conforme o seu lugar na cadeia da obra:

  • Construtor e empreiteiro: revise cláusulas de reajuste e reequilíbrio dos contratos, principalmente em obras de longo prazo e obras públicas. Converse com seu contador e seu advogado antes de fechar novos preços.
  • Trabalhador de obra: veja como você é contratado, como mensalista ou horista, e como sua convenção coletiva trata produtividade e horas. É isso que define o efeito no seu bolso.
  • Quem vai comprar imóvel: as entidades projetam alta de 5% a 6% nos preços do residencial em São Paulo. Acompanhe os lançamentos da sua região e compare condições antes de decidir.
  • Quem planeja uma reforma ou obra: peça orçamentos com prazo e preço detalhados, já que o setor espera cronogramas mais longos.
  • Empresas e gestores: investir em qualificação, planejamento e processos industrializados aparece como a principal estratégia de proteção da produtividade.

Continue acompanhando o nosso Portal de Noticias da Construção para ver os desdobramentos da PEC e o efeito nos custos e nos prazos da construção civil.

FAQ – Perguntas Frequentes

P: O que a CBIC estima com o fim da escala 6×1 na construção civil?

R: A entidade calcula que o setor precisaria de 288 mil trabalhadores adicionais, com custo de R$ 13,5 bilhões por ano, para repor as horas que deixariam de ser trabalhadas.

P: A redução de 44 para 40 horas vai encarecer as obras?

R: Segundo a CBIC, o custo direto da mão de obra pode subir até 15% e o custo total das obras, pelo menos 6%. São estimativas das entidades do setor.

P: Os imóveis ficam mais caros com o fim da escala 6×1?

R: O SindusCon-SP projeta alta de 5% a 6% nos preços do residencial. A CBIC também estima cerca de 30 mil unidades habitacionais financiadas a menos por ano.

P: Trabalhadores da construção podem receber menos?

R: Segundo o Secovi-SP, quem recebe por produtividade pode produzir menos com menos dias de trabalho e, por consequência, ganhar menos. O efeito depende do tipo de contrato e da convenção coletiva.

Fonte de Referência

Bem Paraná | Fim da escala 6×1 deve aumentar os custos da construção civil e “atrasar” obras, aponta setor

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Manoel Monteiro

Escritor

“Como escritor de artigos para blog, transformo suas ideias em conteúdo envolvente e informativo. Com ampla expertise em diversos tópicos, ofereço artigos personalizados que atraem leitores e impulsionam a presença online do seu blog, seja qual for o seu nicho. Conte comigo para criar conteúdo de alta qualidade que eleve a autoridade e o engajamento do seu blog.”

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