Conteúdo
Se você administra empresa de construção civil, esse diagnóstico da CNI provavelmente reflete o que você já sente na prática. A Confederação Nacional da Indústria informou nesta quinta-feira, dia 23, que as condições financeiras do setor continuam negativas no segundo trimestre de 2026. Os dados vêm da Sondagem Indústria da Construção, produzida em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Existe uma leve melhora, mas ela ainda está longe de indicar recuperação. O índice de satisfação com a situação financeira avançou apenas 0,2 ponto frente ao primeiro trimestre, chegando a 45,2 pontos numa escala de 0 a 100. O índice de satisfação com lucro operacional subiu 0,4 ponto, para 41,7 pontos. Nos dois casos, o resultado segue abaixo dos 50 pontos, linha que separa satisfação de insatisfação. Quanto mais perto de 100, maior a satisfação, e quanto mais perto de zero, maior o desconforto.
O custo de insumo ainda pesa, mas menos que antes
Um dado positivo dentro do cenário ruim: o índice de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas recuou 2,2 pontos, caindo para 66,2 pontos. Isso não significa queda de preço, significa que o aumento está menos intenso e menos disseminado do que no trimestre anterior.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o setor segue pressionado tanto pelos juros altos, que encarecem a dívida das empresas, quanto pela elevação constante do custo de mão de obra qualificada e não qualificada, além dos insumos. A guerra no Oriente Médio agravou esse cenário nos últimos meses.
Atividade e emprego recuaram em junho
O nível de atividade da indústria da construção caiu 1,9 ponto em junho, saindo de 49,1 para 47,2 pontos. O número de empregados também recuou, com queda de 0,6 ponto, de 48,5 para 47,9 pontos.
Um ponto de estabilidade nesse quadro: a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) se manteve em 67%, o mesmo patamar de junho do ano passado. Desde o início de 2026, a UCI acumula alta de três pontos percentuais, sinal de que a capacidade ociosa não piorou, mesmo com o resto dos indicadores em queda.
O que mais tira o sono do empresário da construção
A pesquisa também mapeou os principais problemas enfrentados pelo setor, e a ordem de prioridade ajuda a entender onde focar esforço de gestão:
- Juros elevados: apontado por 36,2% dos empresários, ante 34,9% no trimestre anterior. Segue como o maior entrave do setor
- Carga tributária: citada por 33,6%, levemente abaixo dos 33,9% do trimestre anterior, mas ainda na segunda posição
- Falta ou alto custo de mão de obra não qualificada: subiu de 26,7% para 28,9%
- Falta ou alto custo de trabalhador qualificado: 28,6% dos empresários
- Demanda interna insuficiente: 17,3%
O que fazer com esse cenário na sua gestão
Se sua empresa está sentindo esse aperto, alguns pontos merecem atenção imediata:
- Reforce o controle de fluxo de caixa considerando que o custo de crédito deve continuar pressionando a rentabilidade no curto prazo
- Já que o custo de mão de obra segue subindo, vale revisar contratos e planejar reajuste de preço com antecedência, em vez de reagir depois que a margem já apertou
- Fique de olho na evolução dos juros nos próximos meses, já que esse segue sendo o fator mais citado como obstáculo pelo setor
O quadro geral mostra recuperação lenta, com sinais mistos entre indicadores financeiros levemente melhores e atividade em queda. Vale acompanhar a próxima sondagem para ver se essa melhora tímida ganha força ou se o setor volta a piorar no terceiro trimestre.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: As condições financeiras da construção civil melhoraram no 2º trimestre de 2026?
R: Houve leve melhora nos índices de satisfação financeira e de lucro operacional, mas ambos seguem abaixo da linha de 50 pontos, o que indica que o setor continua insatisfeito e as condições permanecem negativas.
P: Qual é o principal problema enfrentado pela indústria da construção hoje?
R: Os juros elevados seguem no topo do ranking, apontados por 36,2% dos empresários no segundo trimestre, um aumento em relação aos 34,9% do trimestre anterior.
P: O custo de mão de obra na construção civil está subindo?
R: Sim. A falta ou alto custo de mão de obra não qualificada subiu de 26,7% para 28,9% entre os empresários, e a falta de trabalhador qualificado também aparece entre os principais entraves, com 28,6%.
P: A atividade da construção civil cresceu em junho de 2026?
R: Não. O índice que mede o nível de atividade do setor caiu 1,9 ponto em junho, de 49,1 para 47,2 pontos, assim como o índice de número de empregados, que recuou 0,6 ponto.
Fonte:
Agência de Notícias da Indústria (Portal da Indústria) — Condições financeiras da indústria da construção seguem ruins no 2º trimestre, informa CNI — https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/economia/condicoes-financeiras-da-industria-da-construcao-seguem-ruins-no-2o-trimestre-informa-cni/






