Conteúdo
- 1. O interesse cresce e o mercado também
- 2. Interesse não é o mesmo que implementação
- 3. Por que a IA pode piorar o que já está ruim
- 4. Três perguntas antes de investir em IA
- 5. Crescer mais rápido do que a gestão aguenta
- 6. O que isso significa na prática para você
- 7. FAQ – Perguntas Frequentes
- 8. Fonte de Referência:
O uso de IA na construção civil cresce rápido, mas a maioria das construtoras ainda não consegue transformar a tecnologia em resultado. É o que mostram levantamentos recentes citados em reportagem do Computer Weekly Brasil, publicada em 15 de outubro. O gargalo não é o software. É a falta de dados organizados e de capacidade de gestão.
O interesse cresce e o mercado também
Os números de adoção mostram um setor em movimento. Segundo a Fortune Business Insights, o mercado global de IA na construção foi avaliado em US$ 4,86 bilhões em 2025. A projeção é que passe de US$ 6,02 bilhões neste ano para US$ 35,52 bilhões até 2034.
No Brasil, o Termômetro Falconi da Construção Civil indica que o uso de IA mais que dobrou, de 15% em 2023 para 38% em 2025. Um estudo da Accenture aponta que a tecnologia pode elevar os lucros do setor em cerca de 71% até 2035.
Interesse não é o mesmo que implementação
A outra face dos dados aparece no relatório AI in Construction Report 2025, do Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS), que ouviu mais de 2.200 profissionais no mundo.
| Indicador (RICS) | Resultado |
|---|---|
| Organizações que ainda não usam IA em projetos | cerca de 45% |
| Organizações em fase inicial de testes | 34% |
| Uso plenamente incorporado em toda a organização | menos de 1% |
| Uso regular em processos específicos | pouco menos de 12% |
| Uso em múltiplos processos | 1,5% |
As barreiras citadas pelos participantes explicam esse descompasso:
- 46% apontaram falta de profissionais capacitados.
- 37% citaram dificuldade de integração com sistemas existentes.
- 30% indicaram problemas de qualidade e disponibilidade dos dados.
O Informe Ascendat de Maturidade Digital, da consultoria Minsait, com 900 organizações de vários setores e países, reforça o contraste. Entre as empresas de construção consultadas, 83% enxergam a IA como ferramenta para ganhar eficiência e 60% disseram usá-la para melhorar a gestão e o planejamento de projetos. Quando a régua é o uso regular em processos, como na pesquisa da RICS, o percentual cai bastante.
Por que a IA pode piorar o que já está ruim
Para o engenheiro civil Renato Lerner, fundador da Elevare Capability, o risco é adotar a tecnologia sem arrumar a casa antes. Na avaliação dele, a IA aumenta muito a velocidade da informação dentro de uma construtora, mas velocidade não corrige dado ruim. Se os dados não são confiáveis e os processos não têm estrutura, a tecnologia só faz o erro circular mais rápido.
Lerner afirma que o principal desafio do setor não é a tecnologia em si. É a falta de dados organizados e a resistência a uma cultura de gestão orientada por informação. Em uma construtora, os dados relevantes ficam espalhados entre orçamento, planejamento, compras, financeiro, contratos, campo e direção. Se cada área trabalha com uma versão diferente da realidade, a IA não elimina a inconsistência.
Três perguntas antes de investir em IA
Ele propõe um teste simples, com três perguntas que deveriam vir antes de qualquer projeto relevante de inteligência artificial:
- Os dados que a empresa usa representam de forma confiável o que acontece nas obras?
- A informação chega à liderança rápido o bastante para permitir uma decisão?
- As previsões da organização costumam se confirmar na realidade?
Crescer mais rápido do que a gestão aguenta
A proposta central de Lerner é identificar, com apoio de IA e indicadores próprios, quando uma construtora cresce em ritmo superior à capacidade da sua estrutura administrativa. Segundo ele, esse é um fator crítico e silencioso por trás de crises de liquidez no setor.
A metodologia combina cerca de 90 perguntas aos tomadores de decisão com análise preditiva e prescritiva orientada por IA. O resultado são relatórios que apontam pontos críticos antes que eles comprometam a solvência do negócio. A Elevare, construtech criada para atender pequenas e médias construtoras, aplica esse modelo.
Para Lerner, uma empresa pode ter painéis sofisticados e ainda descobrir os problemas tarde demais. O objetivo, diz ele, não é produzir mais informação, e sim reduzir a distância entre o que acontece na operação, o momento em que a empresa percebe e a hora em que consegue agir.
O que isso significa na prática para você
Se você toca uma construtora ou trabalha com gestão de obras, estes passos ajudam a não cair na armadilha da ferramenta sem base:
- Faça as três perguntas hoje: responda com honestidade se seus dados refletem a obra, se a informação chega a tempo e se suas previsões se confirmam.
- Unifique as versões da realidade: se orçamento, compras e campo falam números diferentes, resolva isso antes de contratar qualquer solução de IA.
- Comece por um processo só: os dados da RICS mostram que poucas empresas usam IA em vários processos. Escolher um, como planejamento ou controle de custos, é mais realista.
- Olhe o ritmo de crescimento: se sua empresa está crescendo mais rápido do que a equipe administrativa consegue acompanhar, o risco de caixa aumenta, com ou sem tecnologia.
- Invista em gente: a falta de profissionais capacitados foi a barreira mais citada, com 46%.
Se você é pequeno ou médio, o recado é direto. Organizar a informação tende a render mais do que comprar a ferramenta mais avançada.
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FAQ – Perguntas Frequentes
P: Quantas construtoras usam IA hoje?
R: O Termômetro Falconi da Construção Civil indica 38% de uso em 2025, contra 15% em 2023. Já o relatório da RICS mostra que cerca de 45% das organizações ainda não usavam IA em projetos e que menos de 1% tinham uso plenamente incorporado.
P: Quais são as maiores barreiras para usar IA na construção civil?
R: Segundo a RICS, falta de profissionais capacitados (46%), dificuldade de integração com sistemas existentes (37%) e problemas de qualidade e disponibilidade dos dados (30%).
P: A IA pode prejudicar uma construtora?
R: Segundo o engenheiro Renato Lerner, adotar IA sem dados confiáveis e processos estruturados pode acelerar ineficiências, porque a tecnologia faz o erro circular mais rápido.
P: O que avaliar antes de investir em IA?
R: Três pontos: se os dados representam a realidade das obras, se a informação chega à liderança a tempo de apoiar decisões e se as previsões da empresa costumam se confirmar.





