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Um grão que sempre foi visto como problema para a construção civil pode virar solução. Pesquisadores da Universidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, desenvolveram tijolos sustentáveis produzidos com areia do deserto e resíduos industriais, dispensando totalmente o cimento Portland e a queima em forno.
Por que a areia do deserto nunca serviu para construção
A areia encontrada em dunas tem grãos extremamente lisos e arredondados pela ação do vento ao longo de milhares de anos. Esse formato específico impede a aderência necessária entre as partículas, o que sempre inviabilizou seu uso em concreto convencional. Não é à toa que países cercados por deserto historicamente importam areia de outras regiões, como areia extraída de rios na Austrália, para conseguir construir.
A equipe de Sharjah resolveu esse problema geométrico usando ligantes ativados por álcalis, que reagem quimicamente com os minerais presentes na areia fina. O resultado é uma estrutura mineral sólida o suficiente para dar origem a tijolos sustentáveis de alta resistência mecânica, sem precisar recorrer à mineração em leitos de rio.
O que muda ao abandonar o cimento Portland
O cimento Portland concentra boa parte das emissões de carbono associadas à construção civil, principalmente pelo consumo intenso de energia na sua fabricação, que exige queima em fornos a temperaturas elevadas. Ao trocar esse insumo por uma mistura à base de areia do deserto, o processo de cura acontece inteiramente em temperatura ambiente, eliminando a etapa de forno e reduzindo de forma significativa o gasto de energia térmica e o custo operacional de produção.
Ficha técnica do novo material
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Matéria-prima base | Areia do deserto |
| Custo estimado | Baixo custo |
| Peso aproximado | 2,5 kg por bloco |
| Processo de cura | Temperatura ambiente |
| Resistência destacada | Ataque por sulfatos presentes no solo |
Nos testes de laboratório, os blocos mostraram resistência química elevada contra sulfatos do solo, o que torna o material especialmente indicado para construções em regiões áridas, onde o terreno costuma ser mais agressivo com estruturas convencionais.
Quais resíduos industriais entram na receita
Além da areia, a fórmula aproveita subprodutos que normalmente iriam para o descarte. As cinzas volantes, geradas na queima de usinas termoelétricas, ajudam a formar a matriz ligante do material. Já a escória de alto-forno, resíduo da produção siderúrgica, fortalece a estrutura final dos tijolos sustentáveis e reduz o acúmulo desse tipo de rejeito em aterros industriais.
O que isso pode significar para o setor da construção
Se você acompanha tendências de materiais alternativos, vale ficar de olho nesse tipo de inovação, porque ela ataca dois problemas ao mesmo tempo: a escassez de areia adequada em regiões desérticas e a pegada de carbono do cimento tradicional. Ao usar recursos locais, a tecnologia também reduz custos de transporte de matéria-prima, favorecendo cadeias produtivas regionais mais baratas e menos dependentes de importação.
Ainda é uma tecnologia em fase de pesquisa, mas o caminho aponta para uma alternativa viável em regiões áridas do planeta, incluindo áreas do semiárido brasileiro que enfrentam desafios parecidos de disponibilidade de matéria-prima.
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FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que a areia do deserto não era usada na construção civil até agora?
R: Os grãos da areia de deserto são muito lisos e arredondados pela ação do vento, o que impede a aderência necessária para formar concreto convencional sem tecnologia adicional.
P: Como os pesquisadores conseguiram usar a areia do deserto nos tijolos?
R: A equipe da Universidade de Sharjah usou ligantes ativados por álcalis, que reagem quimicamente com os minerais da areia e formam uma estrutura sólida e resistente.
P: Os tijolos sustentáveis com areia do deserto precisam de forno para curar?
R: Não. O processo de cura acontece inteiramente em temperatura ambiente, eliminando a etapa de queima em forno usada na produção tradicional de cimento.







