Conteúdo
- 1. Por que isso preocupa quem já sofre com falta de mão de obra
- 2. O efeito em cadeia dentro da obra
- 3. Prazo de obra pode aumentar em até três meses
- 4. Custo de mão de obra pode subir 15%
- 5. Habitação popular é o segmento mais exposto
- 6. O consumidor final também pode sentir o impacto
- 7. Setor pede mais tempo de transição
- 8. O que isso significa para o seu planejamento
- 9. FAQ – Perguntas Frequentes
- 9.1. P: Quantos trabalhadores a mais a construção civil precisaria com o fim da escala 6×1?
- 9.2. P: Em quanto pode subir o custo da mão de obra com a mudança na jornada?
- 9.3. P: O preço dos imóveis pode aumentar com o fim da escala 6×1?
- 9.4. P: Qual é o prazo de transição previsto para a nova jornada de trabalho?
O debate sobre o fim da escala 6×1 chegou a um ponto que preocupa diretamente quem constrói no Brasil. Segundo estimativas do próprio setor, seriam necessários cerca de 288 mil trabalhadores a mais para compensar a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. O problema é que esses profissionais simplesmente não existem disponíveis no mercado hoje.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em 2 de setembro, o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1. O texto agora segue para o plenário do Senado, onde ainda precisa passar por dois turnos de votação.
Veja também:
CEO da MRV: falta de mão de obra vai empurrar a construção civil para a industrialização
Por que isso preocupa quem já sofre com falta de mão de obra
Se você atua com construção civil, sabe que a dificuldade de contratar pedreiro, carpinteiro, armador, servente ou operador de máquina já é rotina, mesmo com o avanço da industrialização e da tecnologia nos canteiros.
Para Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, o problema atual não é falta de trabalho para as equipes, mas a falta de gente disponível para atender a demanda. Isso significa que, na prática, aumentar a exigência de contratações em um mercado que já opera no limite tende a pressionar ainda mais esse gargalo.
O efeito em cadeia dentro da obra
Diferente de outros setores, a construção civil funciona por etapas que dependem umas das outras. Fundação, estrutura e revestimento de fachada são exemplos de fases que precisam ser concluídas em sequência.
Quando uma dessas etapas atrasa, o efeito se espalha por todo o cronograma que vem depois. O sábado, hoje, também funciona como margem de segurança para recuperar atrasos causados por chuva ou falta de material. Reduzir a jornada semanal tira justamente essa folga do planejamento.
Prazo de obra pode aumentar em até três meses
As simulações feitas pelo setor mostram um cenário concreto. Um prédio residencial que hoje leva cerca de 30 meses para ficar pronto passaria para aproximadamente 33 meses com a jornada de 40 horas.
Esse aumento de prazo não afeta só quem espera a entrega das chaves. Obras mais longas exigem mais capital de giro, elevam despesas administrativas e estendem contratos com fornecedores, o que pesa diretamente no fluxo de caixa das construtoras.
Custo de mão de obra pode subir 15%
O impacto financeiro também preocupa. Segundo cálculos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), a redução da jornada pode elevar em até 15% o custo com mão de obra no setor, o equivalente a R$ 20,3 bilhões por ano.
Veja o resumo dos principais impactos estimados pelo setor:
| Impacto | Estimativa |
|---|---|
| Trabalhadores adicionais necessários | 288 mil |
| Aumento no custo de mão de obra | Até 15% |
| Custo extra anual estimado | R$ 20,3 bilhões |
| Aumento no prazo de obra | De 30 para 33 meses |
| Alta estimada no preço dos imóveis | 5,5% |
Habitação popular é o segmento mais exposto
A preocupação cresce quando o assunto é habitação popular. Nesse segmento, a mão de obra representa uma fatia maior do custo total do empreendimento, o que torna qualquer aumento de despesa mais sensível ao preço final da unidade.
Se você trabalha com empreendimentos voltados ao programa Minha Casa, Minha Vida ou a faixas populares de financiamento, esse é o ponto que merece mais atenção nos próximos meses, já que qualquer reajuste de custo tende a chegar primeiro nesse tipo de produto.
O consumidor final também pode sentir o impacto
De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), o preço dos imóveis pode subir cerca de 5,5% caso a redução da jornada eleve os custos do setor como previsto.
A entidade calcula ainda que esse reajuste poderia tirar aproximadamente 2,5 milhões de famílias da faixa de acesso ao financiamento habitacional, o que também afetaria programas ligados ao FGTS, já que imóveis mais caros reduzem o número de unidades financiáveis com o mesmo volume de recursos.
Setor pede mais tempo de transição
As entidades da construção civil afirmam que não são contrárias à melhoria de qualidade de vida dos trabalhadores. A preocupação está na velocidade da mudança.
O texto aprovado prevê transição de 14 meses para a nova jornada. A Abrainc defende um prazo bem maior, de pelo menos 60 meses, argumentando que os ciclos de produção do setor costumam durar de três a quatro anos.
Pequenas e médias construtoras são as mais expostas a esse risco, já que têm menos acesso a crédito e menor capacidade de investir rápido em industrialização para compensar a perda de horas trabalhadas.
O que isso significa para o seu planejamento
Se você constrói, incorpora ou presta serviço para o setor, vale acompanhar de perto a tramitação da PEC no plenário do Senado. Um período de transição maior tende a dar mais tempo para ajustar contratos, cronogramas e orçamentos, enquanto uma implementação rápida pode pegar construtoras menores no contrapé.
Considerar essa possível mudança já no planejamento de novos lançamentos, principalmente projetos de médio e longo prazo, pode evitar surpresas no orçamento lá na frente.
Quer acompanhar como essa discussão evolui e o que muda na prática para o setor da construção civil? Continue no nosso Portal de Noticias da Construção para mais atualizações como esta.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Quantos trabalhadores a mais a construção civil precisaria com o fim da escala 6×1?
R: O setor estima a necessidade de cerca de 288 mil trabalhadores adicionais para compensar a redução da jornada.
P: Em quanto pode subir o custo da mão de obra com a mudança na jornada?
R: A Cbic estima aumento de até 15% no custo de mão de obra, o equivalente a R$ 20,3 bilhões por ano no setor.
P: O preço dos imóveis pode aumentar com o fim da escala 6×1?
R: Sim, a Abrainc projeta alta de cerca de 5,5% no preço dos imóveis caso os custos do setor subam como previsto.
P: Qual é o prazo de transição previsto para a nova jornada de trabalho?
R: O texto aprovado prevê 14 meses de transição, mas a Abrainc defende um prazo de pelo menos 60 meses.
Fonte original
Folha de S.Paulo — Fim da escala 6×1 exigiria 288 mil trabalhadores que a construção não consegue encontrar





