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Se você acompanha ações de construtoras ou trabalha com incorporação imobiliária, esse balanço do Banco Safra merece atenção. As prévias operacionais das construtoras listadas na B3 no segundo trimestre de 2026 vieram abaixo do esperado, pressionadas por cenário macroeconômico mais difícil, inflação e até pelo impacto sazonal da Copa do Mundo em junho.
O segmento popular foi o mais afetado. Mesmo com avanço nos parâmetros de acesso do Minha Casa Minha Vida (MCMV), as restrições no crédito da Caixa Econômica Federal travaram o ritmo de negociação das empresas.
Por que o crédito da Caixa pesou tanto
O Safra aponta um fator específico: a redução de cerca de 300 pontos-base no comprometimento máximo de renda para financiamento imobiliário. Na prática, isso reduziu a capacidade de compra das famílias e derrubou o volume de vendas do segmento popular a 7% abaixo do projetado pelo banco.
Os lançamentos de baixa renda também sentiram o impacto, com queda de 1% na comparação anual e resultado 5% abaixo da estimativa do Safra. Parte disso reflete o ritmo mais lento de lançamentos em São Paulo, depois de uma suspensão temporária na concessão de alvarás de construção na cidade.
Com esse cenário, a Relação de Vendas sobre Oferta (VSO) do segmento caiu para 24,2%, recuo de 0,5 ponto percentual frente ao trimestre anterior e de 2,2 pontos percentuais em 12 meses.
Quem puxou a desaceleração no segmento popular
- Tenda (TEND3): liderou a queda de VSO, recuando para 24,4%, uma perda de 3,2 pontos percentuais frente ao trimestre anterior
- Direcional (DIRR3): mesmo com avanço na geração de caixa, teve vendas 12% abaixo da projeção do Safra, puxadas pela divisão de resultado com parceiros e pela perda de força da subsidiária Riva
Apesar do trimestre fraco, o Safra enxerga espaço para recuperação nos próximos meses. A Caixa pode flexibilizar os limites de crédito atuais, e o Conselho Curador do FGTS se reúne em 28 de julho para discutir redução de juros nas faixas superiores do MCMV.
Média e alta renda: menos venda, mais estoque parado
Nas construtoras voltadas a média e alta renda, o cenário foi misto. Os lançamentos de novos projetos mostraram força, com alta de 3% na comparação anual e resultado 5% acima da previsão do Safra.
Só que as vendas líquidas caíram 2%, ficando levemente abaixo do esperado. O problema não está nos lançamentos novos, que seguem com boa absorção (VSO próxima de 36%), mas no escoamento de unidades prontas, com Vendas sobre Estoque (VSE) de apenas 10%.
Isso fez o estoque acumulado das construtoras sob cobertura do Safra somar R$ 25,6 bilhões ao fim do trimestre, um salto de 8% frente ao trimestre anterior e de 23% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o Safra, esse aumento reforça a preocupação do mercado com uma desaceleração mais persistente nas vendas de estoque, principalmente com os juros ainda elevados.
As construtoras que se destacaram, para o bem e para o mal
O trimestre expôs divergência clara dentro do setor:
- Moura Dubeux (MDNE3): superou em 13% as projeções de venda do Safra e alcançou a maior VSO do segmento, com 21%
- Cyrela (CYRE3): cresceu 18% nas vendas líquidas frente ao primeiro trimestre, puxada por um salto de 24% no escoamento de unidades prontas
- Even (EVEN3): teve o pior resultado do grupo, com vendas cerca de 45% abaixo da estimativa do Safra e VSO trimestral de apenas 4%, o menor patamar do setor no período
O que fica desse trimestre para quem acompanha o setor
Se você investe ou trabalha com incorporação, o recado do Safra é claro: o crédito segue sendo o fator decisivo para o desempenho das construtoras, tanto no segmento popular quanto no de médio e alto padrão. Vale acompanhar de perto a reunião do Conselho Curador do FGTS no fim do mês, já que uma eventual redução de juros nas faixas superiores do MCMV pode ser o gatilho que o setor está esperando para reverter esse cenário no segundo semestre.
FAQ – Perguntas Frequentes
P: Por que as construtoras da B3 tiveram resultado abaixo do esperado no 2T26?
R: O Safra aponta cenário macroeconômico mais adverso, inflação, impacto sazonal da Copa do Mundo e principalmente restrições no crédito da Caixa Econômica Federal, que reduziram a capacidade de compra das famílias do segmento popular.
P: Qual construtora teve o pior resultado no 2T26 segundo o Safra?
R: A Even (EVEN3) teve o desempenho mais fraco do grupo, com vendas cerca de 45% abaixo da estimativa do Safra e VSO trimestral de apenas 4%.
P: Alguma construtora superou as expectativas do Safra?
R: Sim, Moura Dubeux e Cyrela. A Moura Dubeux superou em 13% as projeções de vendas, e a Cyrela cresceu 18% nas vendas líquidas frente ao trimestre anterior.
P: Existe perspectiva de melhora para o segmento popular no segundo semestre?
R: O Safra vê espaço para recuperação, citando possível flexibilização de crédito pela Caixa e a reunião do Conselho Curador do FGTS em 28 de julho, que vai discutir redução de juros nas faixas superiores do MCMV.
Fonte original
InfoMoney — Setor de construção da B3 não alcança expectativas do Safra no 2T26; entenda — https://www.infomoney.com.br/mercados/setor-de-construcao-da-b3-nao-alcanca-expectativas-do-safra-no-2t26-entenda/






